Projeto Maria Terra inicia Ciclo II com encontro de Articuladores Territoriais do IFMT
Projeto Maria Terra inicia Ciclo II com encontro de Articuladores Territoriais do IFMT
Evento no Campus Cuiabá-Bela Vista marca o início das novas metas do projeto e apoio à agricultura familiar para 2026
O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus Cuiabá-Bela Vista sediou, na última sexta-feira (15), o 1º Encontro de Articuladores Territoriais do Projeto Maria Terra - Ciclo II. O evento marcou o início oficial da nova fase do projeto em 2026, com a capacitação da nova equipe operacional quanto às diretrizes, metas e formas de atuação nos territórios.
O projeto é coordenado e executado pelo IFMT com a gestão financeira da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do IFMT (Funadif) e aporte financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A iniciativa desenvolve ações de pesquisa, capacitação e acompanhamento voltadas a agricultoras, camponesas e integrantes de comunidades tradicionais em situação de vulnerabilidade social e econômica em Mato Grosso. O foco central é garantir a autonomia produtiva e a emancipação social dessas mulheres por meio do acesso facilitado ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), incentivando a criação de associações, cooperativas e empreendimentos de economia solidária.
Durante o evento, a capacitação focou em temas estratégicos para o cumprimento dos objetivos desta nova etapa, como as atribuições da equipe, o papel do articulador territorial nos pólos e as ações e metas para execução, além de metodologias para permanência e êxito das produtoras, procedimentos administrativos e a gestão da comunicação para divulgação e transparência do projeto.
A nova equipe de articuladores territoriais conduzirá as atividades nos polos, abrangendo as comunidades que vivem nesses municípios. O corpo técnico é composto por servidores de cinco campi do IFMT: Thiago Oliveira da Silva (Campus Cuiabá - Bela Vista), à frente do Polo Baixada Cuiabana; Isabela Codolo de Lucena (Campus Várzea Grande), no Polo Livramento; Luiz Fernando de Moraes Campos Filho (Campus Diamantino), responsável pelo Polo Diamantino; Marleide Guimarães de Oliveira Araújo (Campus São Vicente), no Polo Jaciara; e Fernanda Martins Dias (Campus Barra do Garças), que assume o novo Polo Barra do Garças.
O momento de abertura reuniu gestores e representantes das instituições parceiras, que destacaram o impacto social da iniciativa com base nos resultados da sua primeira etapa. A coordenadora-geral, professora Eloisa de Azeredo, deu as boas-vindas aos participantes e enfatizou a importância do alinhamento da equipe para consolidar as metas de 2026. Ela também ressaltou que o reconhecimento das mulheres aos frutos desses dois anos de atuação representa uma vitória coletiva.
“Temos 30 coletivos e agora, para a segunda fase, entramos em contato com mais de 20 coletivos, totalizando 50 coletivos. Isso é sinal que as pessoas estão vendo que o projeto acontece, que vale a pena participar”, destacou. Para ela, o fato de ter crescido o interesse das mulheres em trabalhar de forma associada ajuda a combater um problema existente no estado. “A produção de alimentos está totalmente desequilibrada, praticamente tudo vem de outros estados. O Maria Terra não vem só para atender o PAA, mas também para auxiliar esse reequilíbrio em Mato Grosso na questão da alimentação”, afirmou Eloisa.
O diretor-geral do Campus Cuiabá-Bela Vista, professor Jairo Luiz M. Aquino Júnior, destacou o apoio contínuo da unidade à inclusão feminina e colocou a instituição à disposição para sediar futuros encontros de projetos de incentivo às mulheres. “O IFMT faz a sua missão de atender a sociedade, essa é a nossa função principal”, afirmou, parabenizando a equipe técnica envolvida: “Nós temos vários servidores aqui presentes, parabéns para vocês que estão executando essa atividade e iniciando esse II ciclo". O gestor também enfatizou a importância estratégica da alimentação escolar para o campus, defendendo a aquisição da produção das agricultoras associadas ao projeto. “Nós temos que usar o nosso orçamento com essas mulheres”, finalizou.
O diretor-presidente da Funadif, professor José Bispo Barbosa, relembrou que o Maria Terra permitiu a consolidação da fundação, criando uma profunda conexão institucional com a iniciativa. Como ele próprio definiu, “o Maria Terra é de extrema importância para o IFMT e de muito mais importância para a Funadif”. O gestor também enfatizou o impacto prático das ações viabilizadas pela parceria: “A Conab disponibilizou recursos para executarmos um projeto que ensina essas mulheres a plantar, a produzir para vender para o PAA e para outros mais”.
A superintendente regional da Conab em Mato Grosso, Franciele Tonieti Guedes, enfatizou que o projeto é reconhecido pela direção nacional da Conab, em Brasília, como o que mais apresentou resultados positivos. “A gente teve outros TEDs em outros estados formalizados, e o que trouxe, até agora, mais resultado é esse de Mato Grosso, o Maria Terra”, destacou.
O diretor de Relações Interinstitucionais e Comunidades Populares (IFMT), professor Adriel Martins Lima, destacou o papel da pró-reitoria na atenção às ações sociais e na realização de projetos em parceria com grandes instituições. “A Proex vai continuar apoiando os projetos e essa é a missão da nossa pró-reitoria, trabalhar com gente. A extensão se interessa em gente que gosta de mexer com gente, em mudar a vida das pessoas”, afirmou.
A ex-diretora da Conab, professora Rosa Neide Sandes, explicou que o projeto Maria Terra é voltado para mulheres que enfrentam uma dura realidade no campo, marcada pelo trabalho braçal e por dificuldades no acesso a recursos básicos que persistem até hoje. “Embora tenhamos tecnologia de ponta na produção de soja, a enxada ainda é a ferramenta de trabalho daqueles que garantem nossa alimentação”, enfatizou. Na busca por dar continuidade ao apoio às comunidades e conectar a agricultura familiar à educação, a Conab vem alcançando resultados significativos. Dessa forma, o Maria Terra se consolida ao valorizar os compromissos assumidos, mantendo o foco no desenvolvimento dos coletivos.