Do campo ao campus: Projeto Maria Terra marca presença na XVII JENPEX do IFMT Campus São Vicente com oficina, feira e capacitação
Do campo ao campus: Projeto Maria Terra marca presença na XVII JENPEX do IFMT Campus São Vicente com oficina, feira e capacitação
Agricultoras do Polo Jaciara ministram e participam de oficinas práticas, comercializam produtos artesanais e trocam experiências no Campus São Vicente durante os dois dias de evento.
Nos dias 6 e 7 de outubro de 2026, o IFMT Campus São Vicente realizou a XVII Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão (JENPEX 2026), com o tema "Da Ciência ao Campo: Bioinsumos, Conservação Ambiental e Produção Sustentável". O evento contou com a participação de agricultoras do Polo Jaciara do Projeto Maria Terra, integrantes dos coletivos Coopersaf (do Assentamento Santo Antônio da Fartura), Plano Piloto e Gleba Mestre 1 União da Vitória.
Coordenado pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Projeto Maria Terra está em seu terceiro ano de atividades e atua no fortalecimento de organizações lideradas por mulheres rurais e agricultoras familiares no estado.
A programação integrou ensino, pesquisa e extensão, e a presença do projeto possibilitou o compartilhamento de saberes práticos e a aproximação das agricultoras com o ambiente acadêmico, demonstrando como a extensão rural conecta o conhecimento científico à realidade da agricultura familiar.
Durante a programação, no laboratório de laticínios do campus, a agricultora Eliene Alves da Silva Brito, do coletivo Plano Piloto, ministrou a oficina de Produção Artesanal de Queijo Muçarela. Convidada pela direção-geral do campus, a produtora demonstrou, na prática, as etapas do processamento lácteo para os participantes. Para ela, transmitir o conhecimento do seu cotidiano do campo para a comunidade do IFMT foi uma experiência nova e marcante. "Eu nunca tinha feito uma oficina na área de alimentos. Foi uma honra para mim poder estar participando [...]. Faço parte do Maria Terra, onde eu posso estar passando uma experiência de onde eu fabrico muçarela e poder estar compartilhando com as pessoas, vendo o interesse deles. [...] Tive uma experiência incrível em poder estar colaborando junto com toda a equipe", afirma.
Para a professora Marleide Guimarães de Oliveira Araújo, articuladora do Polo Jaciara, a presença ativa das produtoras nos eventos do IFMT cumpre um papel de inclusão, valorização e maior visibilidade para o trabalho feminino rural. "Eu convido as mulheres do Projeto Maria Terra para participar dos eventos no Campus São Vicente com o intuito de inseri-las no meio acadêmico do ensino, pesquisa e extensão. Para que mostrem os trabalhos delas, as produções, comercializem em formato de feiras nos eventos e, além de tudo, convido-as a mostrar em forma de oficina suas muitas habilidades. Essas mulheres já ministraram oficinas de artesanato e processamento de alimentos, como ocorreu na JENPEX, com a produtora Eliene", destaca.
Para a chefe do Departamento de Pesquisa do IFMT Campus São Vicente e coordenadora-geral da XVII JENPEX 2026, professora Cleusa Albilia de Almeida, a presença do Projeto Maria Terra no evento fortalece o vínculo entre a instituição e a comunidade rural, reconhecendo o protagonismo e a sabedoria das agricultoras familiares. “No espaço da XVII JENPEX do IFMT Campus São Vicente, o programa Maria Terra celebra as mulheres do campo: produtoras que mostram toda a sua potência em cada criação, cada colheita, cada saber carregado com orgulho. Mais do que expor produções, essas mulheres são presença de força e resistência no espaço rural, guardiãs da sustentabilidade e da vida no campo. A parceria com elas sempre foi positiva, alegre e cheia de esperança, de mais trabalhos, de melhores condições de produção e de um futuro mais justo para quem alimenta o nosso povo. Maria Terra: mulheres que produzem, resistem e transformam. Sempre são bem-vindas!", destaca a organizadora do evento.
Além das oficinas, as agricultoras do Projeto Maria Terra participaram da da feira de produtos alimentícios frescos e artesanais dos coletivos rurais de Jaciara. O público pôde adquirir itens como requeijão, queijos variados, galinha caipira abatida, banha de suíno, salame, além de sucos, polpas de frutas, caldo de cana, salgados (pastel frito na hora), doce de leite, frutas cristalizadas e temperos diversos. A comercialização direta garantiu renda para as famílias produtoras e ofereceu aos visitantes produtos com a identidade e o sabor da agricultura familiar regional.
A participação das agricultoras nas atividades de formação da JENPEX mostrou, na prática, que essa integração entre campus e comunidades rurais transforma realidades. Integrante do coletivo Gleba Mestre 1 e participante do segundo ciclo do Projeto Maria Terra, a agricultora Vilma Barreto da Silva Maforte acompanha ativamente os cursos e feiras promovidos pelo IFMT Campus São Vicente, seja nas oficinas ministradas pelos docentes diretamente na comunidade, seja em aulas práticas no próprio campus aos sábados.
Durante o evento, além de dar sequência às suas formações técnicas, como o curso de Avicultura, Vilma frequentou a capacitação em Piscicultura Básica para Produção Familiar, a convite do ministrante, o professor Dr. Filipe dos Santos Cipriano, do Campus São Vicente. "O IFMT Campus São Vicente tem nos dado muitas oportunidades: hora os professores vêm até a Gleba Mestre 1 trazendo cursos, hora nos convidam para participar das feiras do Instituto. Sou fã número um dos professores e da instituição, porque sempre que posso e tenho oportunidade, estou presente. Acompanho o curso de Avicultura, com aulas na comunidade e práticas no campus aos sábados, e só tenho a agradecer por cada espaço que abrem para nós."
A coordenadora-geral do Projeto Maria Terra, professora Eloisa Azeredo, destaca que o projeto vai além de um único objetivo, buscando caminhar lado a lado com as agricultoras, com capacitação, preparo e acompanhamento contínuo para que tenham o melhor acesso possível ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
"Além disso, em todos os nossos polos, fazemos questão de fortalecer o elo entre o ensino, a pesquisa e a extensão. Quando as mulheres participam dos eventos e vivenciam a rotina dos campi próximos às suas localidades, elas passam a conhecer melhor a instituição, se enxergam pertencentes àquele espaço, impulsionando a verdadeira verticalização da extensão. É a transformação acontecendo na prática, unindo a força do campo ao conhecimento da academia", conclui.
Texto: Projeto Maria Terra